Campanha de solidariedade em parceria com os movimentos sociais. O futebol de rua, veículo de valores diferentes Imprimir
Sex, 11 de Abril de 2014 14:29

A dois meses do início do Campeonato Mundial de Futebol do Brasil, a organização suíça de cooperação solidária E-CHANGER (Intercambiar) acaba de anunciar o lançamento de sua campanha "Gols contra a injustiça". A mesma, a desenvolver-se entre 6 e 15 de maio - um mês antes do Mundial - se propõe a apresentar nesse país europeu as reflexões e visões do movimento social brasileiro em torno do mais importante evento esportivo mundial de 2014.

O Mundial organizado pela FIFA (Federação Internacional de Futebol), a realizar-se entre 12 de junho e 13 de julho, é criticado por suas repercussões econômicas, sociais e ecológicas. Seu custo representará, segundo informações oficiais, não menos de 12 bilhões de dólares a cargo do contribuinte brasileiro. Cifra que poderia aumentar significativamente à medida que se concluem as obras.

Milhares de pessoas têm sido expulsas de suas casas e prédios para a construção de alguns dos doze estádios que abrigarão o campeonato. Amplas mobilizações de protesto têm sido realizadas no Brasil desde junho do ano passado, em torno da Copa das Confederações 2013 e do Mundial 2014.

A Campanha incluirá atividades públicas, debates, jogos de futebol alternativo, expressões culturais, encontros com estudantes etc. em oito cidades: Gebebra, Berna, Friburgo, Neuchâtel, Sierre, Lausana e Thun etBulle.

 

Os dois principais convidados para animar a Campanha "Gols contra a injustiça" serão Sergio Haddad, diretor da organização não governamental (ONG) Ação Educativa, com sede em São Paulo (Brasil) e co-organizador do Campeonato Mundial de Futebol de Rua, que se realizará nessa cidade em julho de 2014. Assim como Celia Alldridge, coordenadora da ONG E-CHANGER no Brasil e ativista da Marcha Mundial de Mulheres.

O Futebol de Rua é uma proposta nova que mobiliza já mais de 600 mil meninos, meninas e jovens no mundo inteiro. Pratica-se com equipes mistas; em três tempos; com regras próprias discutidas previamente pelos jogadores; sem árbitros, mas com animadores. Sustenta-se nos princípios de educação popular e promove uma visão pedagógica e diferente do mais popular dos esportes.

A Campanha acontece em cada cidade junto a organizações opositoras. Entre outras, as federações Vaudoise, Ginebrina e Friburguesa de Cooperação; a Brésil de Demain; a Escola Superior de Trabalho Social de Cantón del Valais; a associação solidária com Brasil Novo Movimento; a Associação Contra o Racisco de Berna (muito ativa em promover uma nova cultura entre as torcidas de futebol); o Centro Cultural e Político (Akut) de Thun; vários colégios do país; o Grupo Musical "Três Mundos"; assim como representantes de autoridades municipais de algumas das cidades hóspedes da campanha.

E-CHANGER - faz parte da Aliança CoMundo de cooperação solidária com o Sul, Está presente há mais de vinte anos no Brasil. Cerca de 70 cooperadores da organização têm trabalhado nesse país nas últimas duas décadas. Atualmente, conta com uma quinzena de Cooper-atores e Cooper-atrizes nesse país sul-americano, os que trabalham com o Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST); a UNIÃO (União Nacional por Moradia); a SECOYA, organização de apoio a povos yanomamis da Amazônia brasileira; o CAV - Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica; o Centro de Defesa dos Direitos de meninos(as) e adolescentes (CEDECA) de Interlagos, São Paulo; a Marcha Mundial de Mulheres e a Sociedade de Direitos Humanos do Maranhão.

Fonte: Adital 10 de abril 2014 - Por Sergio Ferrari, Friburgo, Suíça