Secoya realiza X etapa de capacitação de Agentes de Saúde Yanomami no Bicho-Açu Rio Marauiá PDF Imprimir E-mail
Seg, 14 de Janeiro de 2013 12:47

A Secoya realizou entre os dias 13 a 19 de dezembro 2012, a X etapa de capacitação dos Agentes Indígenas de Saúde Yanomami-AIS do rio Marauiá.  O último curso havia sido realizado pela Secoya em 2008, ainda quando assumia o convênio com a Funasa no sentido de realizar a assistência básica de saúde para a população Yanomami.

Antecedentes na capacitação de AIS

A Secoya iniciou o processo de capacitação de AIS em 1994, entendendo então a importância de preparar agentes locais de saúde, que pudessem realizar a intermediação entre a saúde alopática e a saúde tradicional, assim como estabelecer o elo entre as equipes multidisciplinares de saúde e a população dos xapono. Esse trabalho foi pioneiro na questão indígena numa época em que as autoridades sanitárias não acreditavam na possibilidade de envolver Yanomami para desenvolver função dessa natureza. Entre 1994 e 2002 a Secoya realizou nove cursos de capacitação de agentes Yanomami de saúde.

Já no âmbito do convênio com a Funasa, a Secoya deu continuidade a este trabalho entre 2002 e 2008, através da aplicação dos módulos sequenciais preconizados pelo Ministério da Saúde para a formação dos Agentes Indígenas de Saúde, realizando o módulo introdutório; módulo I tuberculose, controle de endemias, vigilância em saúde e organização do DSEI; módulo II doenças endêmicas; módulo III parasitoses intestinais e doenças da pele. Desde então, os cursos não tiveram continuidade sob a responsabilidade da SESAI.

A X etapa de capacitação de AIS pela Secoya

O Curso teve a participação de 21 Yanomami e foi realizado no xapono do Bicho-açu, no baixo rio Marauiá, município de Santa Isabel do Rio Negro, ministrado pela equipe da Secoya composta pelo Coordenador Geral Silvio Cavuscens, a enfermeira Sylvie Petter, a antropóloga Judith Schneider e a pedagoga Débora Almeida de Lima.

A temática abordou dois temas centrais: controle social e educação em saúde.

Dentro do tema controle social, foi trabalhado o histórico dos direitos humanos voltados para a saúde desde a Declaração dos Direitos Humanos promulgada pelas Nações Unidas em 1948; o funcionamento da saúde no Brasil através do Sistema Único de Saúde-SUS e seus princípios; e o Subsistema de Saúde Indígena, articulado com o SUS e executado através dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas.

O conceito de controle social foi debatido de modo aprofundado, considerando a sua importância para que os Yanomami possam acompanhar e participar mais efetivamente do processo de discussão e de decisão através dos Conselhos locais e Distritais no intuito de garantir melhor assistência de saúde para a população. O tema incluiu ainda a participação dos Yanomami na V Conferência Nacional de Saúde Indígena a ser realizada em 2013.

No tema relacionado à Educação em Saúde, foram retomadas  os temas trabalhados pela Secoya nos diversos xapono do Marauiá ao longo do ano 2012: prevenção; qualidade da água para consumo; diarreia e disenteria; desnutrição materna e infantil; destino do lixo, entre outros.

A ênfase foi para a identificação  dos principais fatores ambientais que representam riscos ou causam danos à saúde dos Yanomami e para a necessidade dos  AIS reconhecerem os fatores socioculturais que interferem no processo que leve a população Yanomami a adoecer.

Foi introduzido o “Método Sodis” recomendado pela Organização Mundial de Saúde-OMS” no tratamento da água para consumo,  que possibilita um processo de purificação da água mantida em garrafas “pet” transparentes expostas ao sol algumas horas sob a ação dos raios ultravioletos e infravermelhos.

Essa temâtica envolveu ainda o estudo de verminoses, focando sobre o modo de transmissão e as questões de higiene diretamente correlacionadas.

Na temática gestão do lixo, a metodologia ocorreu através de aula prática com todos os alunos do curso e envolvendo a população do Bicho-Açu, recolhendo e selecionando o lixo existente na área circundante o xapono.

 

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